Como o slack me fez pensar sobre a presença feminina no meio ágil

Categorias Agile

Cá estamos nós: mulheres e agilistas. Acho incrível ver que as minas são presentes e esse grupo só cresce.

Falar da rotina de mulheres que trabalham com agilidade pode ser no mínimo complicado. Além do machismo que por si só oprime e desqualifica mulheres que trabalham em qualquer função – com salários mais baixos, menores chances de promoção, a necessidade de trabalhar o triplo ou então ser bonitasimpática para ter o mesmo reconhecimento do homem – existe o agravante de o universo da tecnologia ser majoritariamente masculino. A rapadura não é mole de engolir para as mulheres que trabalham nesse meio.

Eu posso dizer que tive sorte – quando iniciei na área de produto, minhas referências e lideranças eram e ainda são mulheres. Então fui “criada” em um ambiente no qual sou levada a sério pela equipe. Mas isso não significa que nunca tenha me sentido diminuída dentro do ambiente de trabalho simplesmente por ser mulher – as situações foram tantas e tão diversas que não vale me alongar.

Quando o slack de agilidade foi criado, cheguei lá totalmente perdida: zilhões de canais, discussões e uma infinidade de referências. A presença feminina obviamente muito menor, tanto em número quanto em coragem para falar. Existe o medo de se expor, de parecer pouco entendedora, de ser desacreditada. Acredito que não falo só por mim quando digo que deixei de perguntar e me expor em vários momentos por insegurança. Matamos nossa oportunidade de aprender antes mesmo dela dar o primeiro suspiro de vida. Acho que justamente por isso o canal #mulheres_agilistas foi criado – um espaço seguro para troca de conhecimento e experiência.

O resultado foi ótimo: as mulheres adoraram o canal. E melhor ainda: nada se discutia lá. Afinal, o que deveria ser dito ali que não poderia ser dito nos outros XX canais sobre os mais variados assuntos? Nada. Por que as mulheres precisam de espaço para conversar em paralelo? Não precisam.

Nós temos muito a acrescentar em qualquer espaço. Não só nossa experiência enquanto mulheres, mas como profissionais. Para aprender e ensinar é necessário estar presente. E nada mais eficiente do que a presença em carne e osso, certo?

Vamos nos conhecer, portanto. Partiu um bar, um café, um encontro, sei lá. Quero saber de vocês. Pode ser só com as meninas ou qualquer evento de agilidade. Mas vamos aparecer, fazer nossa presença reconhecida 😉

  • Pingback: 10 dicas do Agilidade.org para sua comunidade de práticas - Agilidade()

  • Daniel Lourenço Curado

    Carolina, boa noite. Tudo bem?
    Apesar do post dedicado as meninas (o que quero deixar bem claro que eu gostei muito) eu gostaria de colocar um comentário, como esposo de uma linda mulher e grande gerente em uma multi nacional.

    Você está de parabéns e foi muito feliz no seu post!

    Eu e minha esposa conversamos muito sobre trabalho quando estamos em casa, jantando ou em um Happy Hour.

    Nos últimos tempos temos nos deparado com uma série de posicionamentos machistas e desprezo pelo valor que a mulher tem, que nós faz refletir sobre como ainda estamos atrasados no tempo.

    O pensamento arcaico, o menosprezo às habilidades/capacidades de gestão e execução ainda é muito forte e isso tem que parar.

    Você não são menos. Vocês não são mais. São iguais.
    E digo com toda propriedade que existem posições muito importante no mercado que deveriam ser assumidas pelas mulheres ao invés de homens. Pela capacidade de condução, resiliência, controle emocional, entre tantas outras habilidades.

    Não parem de marcar seu território no planeta, por favor.

    Por um mundo melhor para todos.

    Um grande abraço e sucesso a todos nós.