A rápida adoção do Agile pelas Gerações Y/Z

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Cada vez mais as empresas estão adotando métodos ágeis. Mas porque isso parece mais fácil para as pessoas da geração Y/Z? É sobre este assunto que vamos debater neste artigo!

Primeiro precisamos entender o que é essa tal de “Geração Y e Geração Z”. Antigamente as gerações eram divididas de 25 à 25 anos, mas surgiu a necessidade de agrupar de acordo com as características da época de nascimento. Conforme a época, as gerações possuem características diferentes devido ao ambiente que as cercava naqueles anos.

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Fonte: Blog Previsa

Quem é Quem?

As datas de cada geração variam de autor para autor. Para muitos, a geração Y, também conhecida como Millennials, surgiu em meados dos anos 70 até anos 90. Para outros, entre 80 e 90. De qualquer forma, esta geração cresceu em uma época de grande crescimento econômico porém chegou na vida adulta enfrentando uma imensa crise econômica global. Quando estavam começando a ganhar espaço, eis que surge a Geração Z, nascidos a partir dos anos 90.

Esta nova geração cresceu em um ambiente de muita tecnologia e avanços sem precedentes na história da humanidade, ao mesmo tempo que cresceu com a ameaça terrorista global. Se pensarmos nos EUA, temos uma geração inteira que cresceu moldada pelo 11 de Setembro!

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Fonte: Blog Previsa

Mas e quanto ao mercado de trabalho?

A Geração Z possui um perfil muito mais empreendedor. São criativos, inovadores, cheios de si. Querem mudar o mundo! Apesar de terem crescido em um ambiente de alta tecnologia, preferem o contato mais próximo, pessoal, pois não acreditam na importância de processos rígidos e burocráticos.

São os primeiros a receberem as novidades, tanto de informação quanto de tecnologia e são ávidos para receber mais e mais conhecimento.

Já a Geração Y cresceu em uma época de transição, onde este mundo estava sendo criado. Além disso foram criados pela Geração X que cresceu e trabalhou com os “Boomers”, sendo estes mais burocráticos ainda, muitos com longa carreira militar.

Alguns autores inclusive já estão pensando na chamada ‘Geração Alpha”, nascidos após 2010. É uma geração que está recebendo uma carga extraordinária de inovação e informações. Tenho certeza que você já viu na rua ou em um shopping uma criança de 4 ou 5 anos usando um tablet melhor que você.

Mas o que isso tem a ver com Métodos Ágeis?

As Gerações X, Y e Z estão conquistando cargos de liderança praticamente ao mesmo tempo. Isso porque hoje o crescimento é mais rápido, para a Geração Z, do que para os nascidos e criados na Geração Y. Temos então líderes de 25 à 54 anos convivendo nas mesmas empresas com responsabilidades parecidas mas com perfis bem diferentes.

Os profissionais de tecnologia adotam práticas ágeis justamente pela proposta de diminuir a hierarquia, processos e aproximar a equipe em prol dos objetivos dos projetos e da empresa. Este cenário é muito bem aceito pelas gerações Y e Z. Já os Boomers e Geração X tem dificuldades em quebrar estes processos burocráticos.

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Fonte: Blog Previsa

O mais incrível é que os métodos ágeis foram criados nos anos 80, provavelmente por profissionais da geração Baby Boom e X mas estão sendo muito mais aceitos pelas gerações Y e Z. Criaram os métodos ágeis e Scrum pois sentiam a necessidade de serem mais criativos, de trabalhar com mais autonomia porém isso só está sendo conquistado agora pelas gerações mais novas.

Você percebe isso nos corredores das empresas em transição. Enquanto em uma sala ocorrem longas reuniões da Diretoria, na outra está rolando uma reunião de revisão da sprint, enquanto alguém transita pela empresa com documentos tentando acelerar o burocrático processo de aprovação existente, mas sem deixar de seguir o processo.

Diferenças de Gestão entre as Gerações

Podemos dividir os métodos de gestão entre as gerações da seguinte forma:

  • Baby Boom: Waterfall, Hierárquicos, perfil militar, décadas de carreira
  • Geração X – Waterfall, PMBOK, inovadores mas seguindo parte dos ensinamentos dos Boomers.
  • Geração Y – Transição/Integração de Waterfall, PMBOK, Métodos Ágeis, respeitando a geração anterior mas querendo fazer diferente.
  • Geração Z – Métodos Ágeis, Design Thinking, Lean. Querem independência para entregar o melhor de si.

Hoje o mundo corporativo precisa de inovação e rapidez, porém suas bases são fundamentadas e administradas por gerações muito hierárquicas. Esta mescla de perfis não representa apenas um risco ou pontos negativos mas sim uma oportunidade para cada geração entender e aprender com a outra.

Novo mercado voltado para mudança!

Segundo Rodolfo Luz, PMP, Gerente de Projetos no CPqD, “No contexto corporativo podemos observar que empresas criadas após 1990, ocupadas principalmente por profissionais da geração X, Y e Z, possuem capacidade mais natural de aplicar metodologias ágeis e híbridas justamente pelo perfis dos profissionais de suas gerações.

Já empresas nascidas em gerações anteriores, em sua maioria ainda estão enraizadas em modelos e processos tradicionais como ISO, PMBOK e até mesmo CMMi, pois foram criadas por profissionais da geração Baby Boomer.

Contudo a tendência é estas empresas possuírem profissionais de gerações X, Y e Z, criando assim conflitos de gerações e dificuldade de desburocratização de processos para evolução das empresas para modelos de gestão Ágeis e emergentes.

Devido a este conflito de gerações nas empresas, oportunidades surgem criando um novo mercado para prestadores de serviço e consultorias especializadas em Transição, Integração e Migração de modelos de Gestão. Encontramos os “Agile Coaches” e “Coaches de Processo” aproveitando este nicho de mercado e promovendo essa “liga” entre os modelos e gerações.

Vemos portanto metodologias tradicionais criadas pelas gerações Baby Boomer, como exemplo o PMBOK do PMI, se rendendo e já admitindo os  benefícios das metodologias emergentes, começando a defender modelos híbridos de gestão – que serão contemplados na nova versão do PMBOK, 6ª – e também modelos ágeis. Inclusive o o PMI criou uma certificação específica para profissionais com experiência em processos, métodos e práticas ágeis, a PMI-ACP.”

E quanto a escolher uma prática ou outra?

Segundo Marlon Silva, Coach & Lean Leadership Coordinator na CI&T, “Independente do modelo adotado ou das tecnologias empregadas, é muito importante as empresas terem a consciência de que seus funcionários irão adotar uma prática ou comprar uma ideia a partir do momento em que se entende o valor do “por que estamos usando/fazendo assim” e não apenas o “o que fazemos é isso.

Ainda mais quando vivenciamos a evolução das gerações, onde a geração Z demonstra ser a geração de “faço, porém qual é o grande propósito disso?“. As gerações anteriores também precisam se preparar para encarar não somente mudanças de paradigmas em termos de tecnologia, mas também ter a consciência de que as novas gerações exigem uma grande quebra em nossas crenças!”

Choque de Gerações?

Segundo Diogo Riker, designer de interação e scrum master na FPF Tech e Criador do blog Agile.pub“Acredito que a geração Y e Z são as mais suscetíveis para o Mindset ágil. O grande problema que percebo é justamente esse choque cultural das empresas com perfil mais conservador, pois em geral as gerações Y e Z são formadas por pessoas bem impacientes, pessoas que tem acesso a informação muito mais rápido e que busca compartilhar informação. Confrontar essas gerações pode gerar resultados muito interessante, mas também pode ser bastante desmotivador, pois o aprendizado vem, em geral, apenas de um lado – sempre a geração mais nova tendo que se adaptar pra trabalhar com a geração mais antiga. Talvez seja esse um dos fatores que a geração Y adota os métodos ageis com mais facilidade: conseguir aplicar esse negócio com menos burocracia em vários aspectos e não mais numa questão projetual…”

Valorizando as Diferenças

De acordo com Jana Pereira, escritora no Agile.pub, “Percebo que a questão das gerações impactam qualquer processo de mudança. Acredito que além das gerações, há outras variáveis a se serem consideradas durante esse processo. O meu receio é generalizar. Apesar de concordar que há conflitos entre as gerações, elas tem experiências de vidas diferentes que leva isso.  O importante é deixar claro o motivo (porque) , informar a descrição do caminho dessa transição (como) e os resultados esperam desse processo (o que). Reconhecer que pessoas são diferentes e saber como estimulá-las é importantes.”

Conclusões

Lembre-se: Você só é ágil hoje porque utiliza métodos criados por pessoas que não eram ágeis. Ocorreu uma transição, um aprendizado. Não podemos simplesmente ignorar as bases e o conhecimento da geração anterior mas sim trazer para o nosso lado para avançarmos ainda mais.

Procure conhecer o perfil dos seus colegas. Verá que entender as restrições e a criação de cada um ajudará no seu trabalho em como lidar e se integrar com eles.

Espero que tenham gostado do tema. Deixem seus comentários e vamos nos aprofundar no assunto. Obrigado e até o próximo artigo!

Referências:

How agile helps attract and retain millennial tech pros
Generation X vs. Millennials: Agile Development
Blog Previsa – Gerações X, Y, Z
Wikipedia

Gerente de Projetos na Elsys, responsável por projetos de desenvolvimento de hardware inovadores em telecomunicações. Utiliza os métodos ágeis para aproximar as pessoas de sua equipe e ajudá-las a encontrar o valor do seu trabalho. Gosta de escrever e conversar sobre a área, principalmente sobre modelos ágeis, híbridos e gerenciamento de riscos. Adora viajar e sonha em conhecer cada canto desse mundo e, quem sabe, levar um pouco de ágil por aí.


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  • WyP Cartoes

    Opa, concordo plenamente com isso, agora sempre fui adepto a metodologias ágeis, nunca apoiei PMBOK, porque não acredito ser para TI. Agora algo que não podemos deixar de lado e sim, criar meios para organizar é justamente a gurizada que além de ter seus requisitos mais “ágeis”, eles pela idade (já tivemos a idade deles, independente de que letra pertençamos), são ansiosos, afoitos e NÃO tem visão de longevidade ou mesmo de amplitude, para entender o impacto de tudo que fazemos. Que um “programa” faz parte de um todo, que atende a um objetivo maior (da diretoria, mercado, etc..). Então, essa questão é muito mais séria de se tratar, pois é extremamente difícil vencermos (como fomos ensinados) o “é assim e pronto, faça…”…. Temos todos que aprender sem perder o rumo.